Sintomas

Dor de ouvido: o que pode ser, o que fazer e quando procurar

Escrito pela equipe editorial do Plantão 24h e revisado pelo Dr. Leonardo Silva Vieira Filho - CRM 33727/GO | Publicado em | Última revisão médica: | 25 min de leitura

Conteúdo educativo. Não substitui consulta médica.

Homem de perfil na poltrona ao entardecer com dor de ouvido, as mãos pressionando a orelha e o rosto contraído de dor
Resposta rápida

Dor de ouvido (otalgia) é um sintoma, não um diagnóstico - e nem toda dor de ouvido é otite. As causas mais comuns são a otite média (no ouvido médio, atrás do tímpano, clássica depois de um resfriado e muito comum em crianças), a otite externa ou "ouvido de nadador" (no canal externo, dói ao puxar a orelha, ligada a água e umidade), o tampão de cera (cerume) e a dor referida (que vem da garganta, de um dente ou da articulação da mandíbula - o ouvido em si está normal). Para aliviar em casa, ajudam a compressa morna, manter a cabeça elevada (a dor piora deitado) e o ouvido seco; o alívio da dor com medicamento costuma ser feito com analgésicos comuns (como o paracetamol e a dipirona) ou anti-inflamatórios (como o ibuprofeno) - qual usar, em que dose e por quanto tempo é decisão médica, e este texto não recomenda tratamento. Um ponto que confunde muita gente: nem toda otite precisa de antibiótico - boa parte das otites médias é viral e melhora sozinha; o antibiótico é exceção, decidida pelo médico caso a caso. Procure atendimento com urgência se houver inchaço, vermelhidão ou dor atrás da orelha empurrando-a para frente (suspeita de mastoidite), saída de pus ou sangue, perda de audição súbita, vertigem ou paralisia de um lado do rosto - e fique atento a bebês que puxam a orelha com febre e a diabéticos com dor intensa. O diagnóstico costuma exigir otoscopia (o médico olhar o tímpano), que é presencial: a teleconsulta tria, orienta o alívio da dor e reconhece o que precisa de exame presencial ou emergência.

Pontos-chave
  • Dor de ouvido é sintoma, não diagnóstico. Nem toda dor de ouvido é otite - pode ser cera, ou uma dor que na verdade vem da garganta, de um dente ou da mandíbula (dor referida).
  • Existem dois tipos principais de otite. A média (ouvido médio, profunda, depois de resfriado) e a externa ou "ouvido de nadador" (no canal, dói ao puxar a orelha, ligada a água).
  • O jeito da dor é uma pista. Piora ao deitar aponta para o ouvido médio; ao mastigar, para a mandíbula ou o canal; ao engolir, para a garganta.
  • Para a dor, a base são os analgésicos comuns. Paracetamol, dipirona e anti-inflamatórios como o ibuprofeno ajudam - mas qual usar e como é decisão médica. Gota no ouvido, só com o tímpano avaliado.
  • Nem toda otite precisa de antibiótico. Boa parte das otites médias é viral e melhora sozinha; o antibiótico é exceção, decidida caso a caso pelo médico.
  • O alarme é a dor com companhia. Dor atrás da orelha com inchaço, pus ou sangue, febre alta, perda de audição, vertigem ou paralisia no rosto pedem avaliação urgente.
  • O diagnóstico costuma ser presencial. A otoscopia (olhar o tímpano) define muito do quadro; a teleconsulta tria, orienta o alívio da dor e reconhece o alarme.

O que pode ser a dor de ouvido (e por que nem toda dor de ouvido é otite)

Dor de ouvido (o nome técnico é otalgia) é um sintoma, não um diagnóstico - e nem toda dor de ouvido é otite. As causas mais comuns são a otite média (no ouvido médio, atrás do tímpano, clássica depois de um resfriado), a otite externa ou "ouvido de nadador" (no canal, que dói ao puxar a orelha, ligada a água), o tampão de cera e a dor referida - aquela que nasce na garganta, num dente ou na mandíbula e "ecoa" no ouvido, mesmo com o ouvido saudável. A primeira pergunta que orienta tudo é se a dor nasce no próprio ouvido ou se vem de fora; reconhecer o seu caso encurta o caminho até o cuidado certo.

O ouvido tem três partes, e saber onde a dor mora ajuda a entender o que está acontecendo. O ouvido externo é o que você enxerga e alcança: a orelha e o canal até o tímpano. O ouvido médio fica logo atrás do tímpano, é uma pequena câmara com ar que se conecta ao nariz por um tubo (a tuba auditiva) - e é por esse tubo que um resfriado "sobe" e vira otite. E o ouvido interno, mais fundo, cuida da audição fina e do equilíbrio. A maioria das dores de ouvido começa no externo ou no médio; o interno costuma dar mais tontura e zumbido do que dor.

Quatro situações cobrem a maioria das dores de ouvido. Vale reconhecer a sua:

O que pode ser Como costuma ser O que costuma estar por trás
Otite média Dor profunda e latejante, "por dentro"; costuma vir depois de um resfriado; muito comum em crianças, às vezes com febre; piora ao deitar Inflamação ou infecção do ouvido médio, atrás do tímpano
Otite externa ("ouvido de nadador") Dor no canal que piora ao puxar a orelha ou mastigar; coceira, ouvido inchado ou "molhado" Inflamação do canal externo, ligada a água, umidade e ao uso de cotonete
Cera (cerume) Ouvido tampado, audição abafada, às vezes leve desconforto; piora ao cutucar com cotonete Acúmulo ou rolha de cera no canal
Dor referida O ouvido "dói", mas parece normal; vem junto de dor de garganta, dor de dente ou dor na mandíbula Origem fora do ouvido: garganta, dente, articulação da mandíbula (ATM)

Além dessas quatro, há causas menos frequentes que vale conhecer. A mudança de pressão - de avião pousando, de mergulho ou de subir a serra - pode causar dor e ouvido tampado (o chamado barotrauma), porque a tuba auditiva não equaliza a pressão a tempo. Um corpo estranho no canal (comum em crianças, mas também um inseto no adulto) causa dor e desconforto súbitos. E, mais raramente, uma erupção com bolhas dolorosas na orelha e no canal pode ser uma reativação do vírus da herpes-zóster na região do ouvido. São situações que também melhoram com avaliação médica.

Dor de ouvido no avião

A dor de ouvido no avião é um barotrauma: na descida, a pressão da cabine sobe rápido e a tuba auditiva não consegue equalizar a pressão dentro do ouvido, o que "aperta" o tímpano e dói. Para prevenir, engula, boceje, masque chiclete ou faça a manobra de tapar o nariz e soprar de leve durante a subida e, principalmente, a descida; em bebês, oferecer o peito, a mamadeira ou a chupeta ajuda. Quem está muito resfriado tem mais dificuldade de equalizar - se for viajar assim, converse com um médico antes. A dor costuma passar em minutos a horas; se persistir, houver perda de audição ou sangramento, procure avaliação.

A pista que mais ajuda a separar uma da outra: se dói ao puxar a orelha, aponta mais para o canal externo; se a dor é profunda e veio depois de um resfriado, aponta mais para o ouvido médio; se o ouvido está mais tampado do que dolorido, pode ser cera; e se o ouvido parece normal mas dói junto com a garganta ou com um dente, pode ser dor referida. Não dá para fechar o diagnóstico só pela descrição, mas ela encurta bastante o caminho - e é ela que o médico usa para triar.

Nem toda dor de ouvido é otite

"Otite" virou sinônimo de dor de ouvido, mas nem sempre é o caso. O tampão de cera e a dor referida (que vem da garganta, de um dente ou da mandíbula) são bem comuns e não são infecção do ouvido. Quando a dor no ouvido aparece junto de dor de garganta forte, vale ver também o nosso guia de dor de garganta e o de amigdalite - a origem pode estar ali.

Otite média × otite externa: como diferenciar

As duas otites mais comuns afetam partes diferentes do ouvido e deixam pistas diferentes. A otite externa é no canal (a parte de fora, que você alcança), liga-se a água e umidade, e sua marca registrada é a dor ao puxar ou tocar a orelha. A otite média é atrás do tímpano (que você não alcança), costuma vir depois de um resfriado, e a dor é mais profunda e latejante, às vezes com febre e sensação de ouvido tampado. Separar as duas importa porque o cuidado muda - mas confirmar qual é costuma exigir o médico olhar o tímpano.

O quadro lado a lado ajuda a reconhecer:

Otite externa ("ouvido de nadador") Otite média
Onde fica Canal externo (a parte de fora) Ouvido médio, atrás do tímpano
Pista clássica Dói ao puxar ou tocar a orelha; coceira Dor profunda e latejante "por dentro"; piora ao deitar
Gatilho comum Água, umidade, natação, cotonete Gripe ou resfriado, alergia (mais em crianças)
Costuma vir com Canal inchado, coceira, secreção, ouvido "molhado" Febre, ouvido tampado; em bebês, irritabilidade
Ajuda no alívio Manter o ouvido seco Cabeça elevada; tratar a congestão do resfriado

Por que separar importa? Porque o cuidado muda. Manter o ouvido seco, por exemplo, ajuda bastante na otite externa - e a externa costuma vir justamente depois de muito contato com água. Já a otite média costuma aparecer na esteira de uma gripe ou resfriado, quando a congestão atrapalha a drenagem do ouvido. Existe ainda uma diferença que o leigo raramente percebe: a otite externa dói bastante ao encostar na orelha, enquanto a otite média pode doer mesmo sem ninguém tocar.

Como o médico distingue as duas. A ferramenta principal é o otoscópio, um pequeno aparelho com luz e lente que ilumina o canal e o tímpano. Na otite externa, o médico vê o canal inchado, avermelhado, às vezes com secreção; na otite média, o tímpano costuma estar abaulado, avermelhado ou com líquido atrás. Também ajuda a história: começou depois de nadar ou depois de um resfriado? Dói ao puxar a orelha ou por dentro? É essa combinação de exame e história que fecha o diagnóstico - e por isso a otoscopia, que é presencial, tem tanto peso.

Nem toda otite média é igual

Dentro da otite média existem variações que explicam por que umas doem e outras "só entopem" o ouvido:

  • Otite média aguda. É a clássica, com dor, e às vezes febre, geralmente depois de um resfriado. É a que mais preocupa a criança à noite.
  • Otite média com efusão (secretora). Fica líquido atrás do tímpano sem infecção ativa. Costuma doer pouco ou nada, mas deixa o ouvido tampado e a audição abafada - comum depois de uma otite aguda ou de resfriados de repetição. Em crianças, pode atrapalhar a audição e a fala e merece acompanhamento.
  • Otite crônica. Quando a inflamação ou a secreção se arrastam por semanas, às vezes com o tímpano perfurado e saída de secreção recorrente. Precisa de avaliação, muitas vezes com otorrino.

Confirmar qual é, no entanto, costuma exigir o médico olhar o canal e o tímpano - e é por isso que parte dos casos precisa de avaliação presencial.

E a otite interna? (labirintite)

Muita gente chama de "otite interna" o que os médicos chamam de labirintite ou outras alterações do ouvido interno. Nesses casos, o sintoma principal costuma ser tontura, vertigem e zumbido - e não a dor. Se a sua queixa maior é o mundo girando, veja o nosso guia de labirintite e o de tontura.

Dor de ouvido de um lado, ao engolir, ao mastigar ou ao deitar (e como dormir)

O jeito como a dor de ouvido se comporta é uma pista da causa. Dor só de um lado é o mais comum e não é sinal de gravidade por si só. Dor que piora ao mastigar ou ao abrir a boca aponta mais para a articulação da mandíbula (ATM) ou para o canal externo; dor ao engolir costuma vir da garganta (dor referida); e dor que piora ao deitar é típica da otite média, porque a pressão no ouvido médio aumenta. Para dormir com dor de ouvido, manter a cabeça mais elevada (um travesseiro a mais, ou dormir com o ouvido dolorido para cima) e uma compressa morna costumam aliviar o suficiente para descansar.

Prestar atenção no que piora e no que alivia a dor é uma das informações mais úteis que você leva para a consulta. Veja o que cada padrão costuma sugerir:

  • Dor de ouvido de um lado só. É o padrão mais comum e, sozinho, não indica gravidade - a maioria das otites e das dores referidas é unilateral. Dor nos dois ouvidos ao mesmo tempo aparece mais em crianças com resfriado e também costuma ser benigna. O que muda a conversa não é o lado, e sim a companhia: febre alta, pus, dor atrás da orelha (veja os sinais de alarme).
  • Dor ao mastigar ou ao abrir a boca. A articulação da mandíbula (ATM) fica bem na frente do ouvido; quando ela está sobrecarregada (bruxismo, tensão, apertar os dentes), a dor é sentida "no ouvido". A otite externa também dói ao mastigar, porque o movimento mexe no canal inflamado.
  • Dor ao engolir. Costuma apontar para a garganta - uma faringite ou amigdalite que "sobe" para o ouvido pelos nervos que os dois dividem. Nesse caso, o ouvido em si costuma estar normal.
  • Dor que piora ao deitar. É a marca da otite média: deitado, a pressão e o líquido no ouvido médio aumentam, e a dor incomoda mais justamente na hora de dormir. Por isso a dor de ouvido "ataca à noite" com tanta frequência.
  • Dor ao puxar a orelha. Aponta para o canal externo (otite externa). É um teste simples que você mesmo pode fazer: puxe de leve o lóbulo - se doer bastante, o canal provavelmente está inflamado.
  • Dor com o ouvido tampado, sem dor forte. Aponta mais para cera, líquido atrás do tímpano ou a congestão de um resfriado do que para uma infecção aguda.

Vale também reparar em quando a dor começou. Dor que surge durante ou logo após nadar fala a favor de otite externa; dor que aparece alguns dias depois de um resfriado, de otite média; dor que começou na descida do avião ou num mergulho, de barotrauma; e dor que veio junto de uma dor de dente ou de ranger os dentes à noite, de origem no dente ou na mandíbula.

O tipo de dor também conta. A dor latejante (que pulsa junto com o coração) e "por dentro" combina mais com otite média; a dor em pontada ou queimação no canal, com otite externa; e um desconforto surdo com ouvido cheio, com cera ou líquido. Quando a dor vem acompanhada de zumbido ou de queda de audição, vale registrar isso - pode indicar cera, líquido atrás do tímpano ou envolvimento do ouvido interno, e ajuda o médico a direcionar (veja zumbido no ouvido). Nada disso fecha o diagnóstico sozinho, mas o conjunto encurta o caminho.

Como dormir com dor de ouvido

A dor de ouvido quase sempre piora deitado, e a noite mal dormida piora tudo. O que costuma ajudar: elevar a cabeceira ou usar um travesseiro a mais (ficar mais reclinado reduz a pressão no ouvido); deitar com o ouvido dolorido para cima, não sobre o travesseiro; aplicar uma compressa morna sobre a orelha por alguns minutos antes de dormir; e combinar isso com o alívio da dor orientado pelo médico (veja a seção de remédios). Se mesmo assim a dor não deixa dormir e vem com febre alta, é sinal de procurar avaliação.

O que fazer agora: o que é bom para a dor de ouvido em casa

Enquanto você não passa pelo médico, o objetivo é aliviar a dor com segurança. O que costuma ajudar: uma compressa morna sobre a orelha; manter a cabeça mais elevada (a dor de ouvido piora deitado); manter o ouvido seco na suspeita de otite externa; e hidratar-se e descansar, sobretudo se a dor veio depois de um resfriado. O que não ajuda e pode piorar: enfiar cotonete, pingar qualquer coisa no ouvido por conta própria e usar "vela de ouvido". O alívio da dor com medicamento é parte central do cuidado - e é o tema da próxima seção.

As medidas caseiras não "curam" a otite, mas tornam a espera até a consulta muito mais tolerável e são seguras para quase todo mundo. O que costuma ajudar a atravessar os primeiros dias:

  • Compressa morna na orelha. Um pano morno (não quente) ou uma bolsa térmica em temperatura amena sobre o ouvido, por 10 a 15 minutos, relaxa e conforta. Alguns preferem compressa fria - vale o que alivia mais para você.
  • Cabeça elevada. Dormir mais reclinado ou com um travesseiro a mais costuma aliviar, porque a dor de ouvido piora deitado.
  • Mantenha o ouvido seco. Evite entrar água; seque bem a parte de fora após o banho. Vale especialmente na suspeita de otite externa - se precisar, use uma touca no banho e não mergulhe até melhorar.
  • Alívio da dor conforme orientação. Tratar a dor é prioridade. Os analgésicos comuns são a base; qual usar e como, quem orienta é o médico (detalhe na seção sobre remédios).
  • Hidrate-se e descanse. Sobretudo se a dor veio na esteira de um resfriado. Beber líquido e, em adultos e crianças maiores, mascar chiclete, bocejar ou fazer a manobra de "assoar com o nariz tampado de leve" ajuda a "destampar" o ouvido ao abrir a tuba auditiva.
  • Trate a congestão do nariz. Como a otite média costuma vir de um resfriado, aliviar o nariz entupido (com soro fisiológico, por exemplo) ajuda o ouvido médio a drenar.

E quando a dor de ouvido aparece "do nada", sem resfriado, sem água e sem dor de garganta? Ainda assim, comece pelas mesmas medidas de conforto e observe: muitas vezes é o começo de uma otite ou de uma dor referida que só vai dar as outras pistas nas próximas horas. O que orienta a conduta não é ter começado "do nada", e sim a intensidade da dor e a companhia dela - febre, secreção, tontura, dor atrás da orelha. Se a dor é forte ou não melhora, não espere o quadro se completar para procurar avaliação.

O que é bom para dor de ouvido: o que funciona e o que é mito

Circula muita receita caseira para dor de ouvido. Vale separar o que é seguro do que pode fazer mal:

  • Compressa morna: ajuda e é segura. Pode usar.
  • Alho, cebola, azeite morno ou água oxigenada dentro do ouvido: não use. Não têm eficácia comprovada para a dor e, se o tímpano estiver perfurado, podem lesar o ouvido. A regra vale para qualquer líquido pingado por conta própria.
  • Vela de ouvido (ear candling): não funciona e pode queimar. Fuja.
  • Secador de cabelo no ouvido para "secar": no máximo morno, à distância e por pouco tempo - nunca quente e nunca colado, pelo risco de queimadura.
O que NÃO fazer
  • Enfiar cotonete, grampo ou qualquer objeto no canal - empurra a cera para o fundo, machuca o canal e pode até furar o tímpano. O ouvido se limpa sozinho.
  • Usar "vela de ouvido" (ear candling) - não tem eficácia comprovada e pode causar queimadura e lesão no tímpano.
  • Pingar azeite, água oxigenada, álcool ou qualquer gota por conta própria - se o tímpano estiver perfurado, várias dessas coisas são contraindicadas e podem lesar o ouvido. Quem decide a gota certa é o médico.
  • Tomar antibiótico por conta própria ou "que sobrou" - boa parte das otites não precisa, e o uso errado traz resistência e efeitos colaterais.
  • Ignorar dor forte com febre, pus ou dor atrás da orelha achando que "é só otite" - esses sinais pedem avaliação (veja os sinais de alarme).

Remédio para dor de ouvido: o que ajuda, o que não, e o que nunca pingar

Para a dor em si, a base são os analgésicos comuns - como o paracetamol e a dipirona - e os anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, úteis quando há inflamação. Qual usar, em que dose e por quanto tempo é decisão médica: este texto não recomenda tratamento, apenas explica as opções. Sobre gotas no ouvido: não pingue nada por conta própria - se o tímpano estiver perfurado, algumas gotas são contraindicadas, e só o médico, vendo o tímpano, sabe se estão liberadas. E antibiótico não é remédio de dor: boa parte das otites nem precisa dele, e ele nunca deve ser usado "por garantia" ou "que sobrou".

Quando as pessoas buscam "remédio para dor de ouvido", quase sempre querem saber duas coisas: o que tira a dor e o que trata a causa. São coisas diferentes, e vale separar - porque a mesma dor de ouvido pode precisar só de um analgésico ou, em uma minoria dos casos, de um antibiótico.

Para aliviar a dor

O alívio da dor é o passo mais imediato, e costuma ser feito com medicamentos que muita gente já tem em casa. Os analgésicos comuns (como o paracetamol e a dipirona) reduzem a dor e ajudam a baixar a febre; os anti-inflamatórios (como o ibuprofeno) somam um efeito contra a inflamação, útil quando o ouvido está bem inflamado. Não existe um "melhor remédio" universal: a escolha depende da causa, da idade, de outras doenças e de alergias - por isso qual usar, em que dose e por quanto tempo é decisão médica. Este texto explica as opções, não indica tratamento. Uma teleconsulta resolve exatamente essa dúvida com segurança, considerando o seu caso.

Situação O que costuma entrar Quem decide
Dor (leve a moderada) Analgésico comum, como paracetamol ou dipirona Orientação médica (dose depende de idade/peso e outras condições)
Dor com bastante inflamação Anti-inflamatório, como o ibuprofeno Orientação médica (nem todo mundo pode usar)
Otite bacteriana confirmada ou provável Antibiótico (a amoxicilina é o exemplo mais comum) Prescrição médica - não é para a dor, é para a infecção
Gota para o ouvido Depende da causa e do tímpano estar íntegro Só com o médico tendo visto o tímpano
Ouvido tampado por cera Amolecer/remover a cera (procedimento) Médico - não é para cutucar em casa

Gotas para o ouvido: o cuidado que quase ninguém sabe

Existe uma regra de ouro que evita muita complicação: não pingue nada no ouvido sem saber se o tímpano está íntegro. Se houver uma perfuração (que nem sempre dói ou é percebida), algumas gotas podem entrar no ouvido médio e causar dano. É por isso que a gota certa depende de o médico olhar o tímpano primeiro - e por que "pingar azeite morno", água oxigenada ou álcool, receitas caseiras muito difundidas, podem piorar em vez de ajudar.

Existem gotas de tipos bem diferentes, e cada uma tem seu lugar: umas servem só para amolecer a cera, outras combinam substâncias para tratar uma otite externa, outras aliviam a dor. Usar a gota errada - por exemplo, uma de tratar cera num ouvido que na verdade tem otite - não ajuda e pode atrapalhar. Por isso a gota tem lugar no tratamento, sim, mas indicada por quem examinou o ouvido, e nunca "porque funcionou no ouvido do vizinho".

Pomada, spray e outros

Não existe "pomada para dor de ouvido" de passar por fora que resolva uma otite - a inflamação está dentro do canal ou atrás do tímpano, onde a pomada não chega. Descongestionantes de nariz podem ajudar indiretamente quando a dor vem de um resfriado, ao desentupir a tuba auditiva, mas têm limitações e restrições (não são para todo mundo, nem para uso prolongado). Também aqui a orientação individual é o que protege.

Remédio caseiro para dor de ouvido: o que a evidência diz

A busca por "remédio caseiro para dor de ouvido" é enorme, e é justo: a dor incomoda e nem sempre dá para ir ao médico na hora. O que tem respaldo é simples e você já viu: compressa morna, cabeça elevada, ouvido seco, hidratação e descanso. O que não tem respaldo - e pode fazer mal - é pingar alho, cebola, azeite, leite morno, água oxigenada ou álcool no ouvido, ou usar vela de ouvido. Nenhum deles "cura" a otite, e todos podem lesar o ouvido se o tímpano estiver perfurado. Chás e mel podem confortar quando a dor vem junto de um resfriado, mas agem no bem-estar geral, não no ouvido em si. Em resumo: as medidas caseiras seguras aliviam a espera; elas não substituem a avaliação quando há febre alta, pus, dor atrás da orelha ou dor que não melhora.

Por quanto tempo usar, e quando o remédio para a dor não basta

O alívio da dor costuma ser por poucos dias, enquanto o quadro melhora - não é para tomar analgésico por semanas sem reavaliar. Um sinal importante: se a dor não cede mesmo com o analgésico, se piora depois de já ter melhorado, ou se surgem febre alta, secreção com pus, dor atrás da orelha ou queda de audição, o remédio para a dor "não está bastando" porque a causa mudou - e isso pede avaliação, não uma dose maior por conta própria. Aumentar a dose ou misturar remédios sem orientação é um risco real, sobretudo com anti-inflamatórios.

Antibiótico: para a infecção, não para a dor

O antibiótico trata a infecção bacteriana - ele não é analgésico e não "acelera" uma otite viral. Quando a otite é claramente bacteriana ou não melhora, o médico pode prescrever um antibiótico, e a amoxicilina é o exemplo mais comum nesses casos; a escolha, a dose e a duração são sempre decisão médica, e o tratamento deve ser levado até o fim, mesmo que a dor passe antes. O ponto central, que uma seção mais adiante detalha, é que nem toda otite precisa disso - e tomar antibiótico "por garantia" traz efeitos colaterais e resistência sem acelerar a melhora. Veja mais em nem toda otite precisa de antibiótico.

Vale a mesma lógica de outras infecções comuns das vias aéreas: na sinusite e na amigdalite, a maioria dos quadros é viral e o antibiótico fica reservado para casos específicos.

O que a nossa própria base mostra. Entre os atendimentos por dor de ouvido na nossa telemedicina, quando houve prescrição registrada, os analgésicos comuns (como paracetamol, dipirona e o anti-inflamatório ibuprofeno) apareceram com mais frequência do que o antibiótico - coerente com o fato de boa parte das otites melhorar com o alívio da dor, sem antibiótico.

Dado operacional descritivo da telemedicina Plantão 24h (n=179, jan-mai 2026, população que tende a ser mais jovem que a média). Não é estudo clínico nem diretriz, e não substitui avaliação médica. Nomes de medicamento aparecem como exemplo da classe, nunca como recomendação individual.

Criança, gestante e idoso: atenção redobrada com remédio

Em crianças, a dose de analgésico é calculada por peso e idade e deve ser orientada pelo pediatra - não use dose de adulto nem calcule a dose por conta própria. Em gestantes e lactantes, nem todo analgésico ou anti-inflamatório é liberado, e a escolha muda. Idosos e quem tem doença de estômago, rim ou coração precisam de cuidado extra com anti-inflamatórios. Em todos esses casos, a orientação é individual - vale conversar com um médico antes de medicar.

Dor de ouvido em criança e bebê: como identificar

A otite média é muito comum na infância, e o bebê não sabe descrever a dor - então os sinais são indiretos: puxar ou mexer na orelha, choro e irritabilidade sem motivo claro, febre, dificuldade para dormir, perda de apetite e, às vezes, secreção saindo do ouvido. Diante disso, o caminho é procurar avaliação médica e não medicar por conta própria - nem antibiótico, nem gota. Procure atendimento com urgência se houver febre alta que não cede, inchaço ou dor atrás da orelha, secreção com pus ou sangue, ou se a criança estiver muito prostrada.

Otite é contagiosa? A otite em si não "pega" de uma pessoa para outra. O que se transmite é o resfriado ou a gripe que, em algumas pessoas, evolui para uma otite - por isso a otite parece "andar em família" nas épocas de vírus, mas o que passa de um para o outro é o vírus respiratório, não a otite. A otite externa, ligada a água e umidade, também não é contagiosa. Isso vale para adultos e crianças.

Por que a otite é tão comum em criança? Porque a tuba auditiva - o canal que liga o ouvido médio ao nariz - é mais curta e mais horizontal na infância, o que facilita a subida das secreções de um resfriado para o ouvido. É por isso que a otite média costuma aparecer poucos dias depois de uma gripe ou resfriado. Com o crescimento, a tuba amadurece e as otites tendem a rarear.

Como o bebê não verbaliza, observe o comportamento:

  • Puxar, esfregar ou mexer na orelha repetidamente.
  • Choro e irritabilidade sem causa aparente, que pioram ao deitar (na hora da mamada ou do sono).
  • Febre, que pode acompanhar a otite - veja o guia de febre em crianças.
  • Dificuldade para dormir e para se alimentar (sugar e deglutir doem).
  • Secreção no ouvido (amarelada ou com sangue) - pode indicar que o tímpano drenou; alivia a dor, mas precisa de avaliação.
  • Menos reação a sons ou queixa de ouvido "tampado", em crianças maiores.

O que fazer: não medicar por conta própria (nem antibiótico "que sobrou", nem gota, nem dose de adulto) e procurar avaliação. Enquanto isso, conforto ajuda - colo, cabeça um pouco elevada, ambiente calmo. O alívio da dor com medicamento, quando indicado, é por peso e idade, orientado pelo pediatra.

Otite de repetição na criança

Algumas crianças têm otite atrás de otite. Quando isso acontece com frequência (várias vezes ao ano) ou quando fica líquido atrás do tímpano por muito tempo, atrapalhando a audição e a fala, o pediatra pode encaminhar ao otorrino. Em casos selecionados, considera-se a colocação de um pequeno tubo de ventilação (o "carretel" ou tubinho), que ajuda a drenar e a arejar o ouvido médio - uma decisão sempre individual, do especialista. Frequentar creche, a exposição à fumaça de cigarro e mamar deitado aumentam o risco de otites de repetição; reduzir esses fatores ajuda.

Do lado da prevenção, alguns cuidados reduzem a chance de otite na criança: amamentar (o leite materno ajuda a proteger contra infecções), não fumar dentro de casa nem no carro, oferecer a mamadeira com a criança mais elevada (não totalmente deitada) e manter as vacinas em dia - algumas vacinas de rotina reduzem infecções que levam à otite. Isso não elimina o risco, mas costuma diminuir a frequência dos episódios.

Quando levar a criança com urgência

Procure atendimento sem esperar se o bebê ou a criança tiver: febre alta que não cede, inchaço, vermelhidão ou dor atrás da orelha, secreção com pus ou sangue, muita prostração (moleza, difícil de acordar), rigidez de nuca, ou se for um bebê com menos de 3 a 6 meses com febre - nessa idade, qualquer febre merece avaliação rápida.

Ouvido tapado, cera e água ("ouvido de nadador")

Ouvido tampado nem sempre é infecção - muitas vezes é cera (cerume) acumulada, água presa depois do banho ou da piscina, ou a congestão de um resfriado. Quando é cera, o sinal típico é audição abafada com pouca ou nenhuma dor, e a pior coisa a fazer é cutucar com cotonete (empurra a rolha para o fundo). Quando entra água e o canal inflama, aparece a otite externa, o "ouvido de nadador", com dor ao puxar a orelha. A regra de segurança é a mesma: o ouvido se limpa sozinho, mantê-lo seco ajuda, e remover rolha de cera é procedimento para o médico.

A cera não é sujeira - ela protege e limpa o canal naturalmente, migrando para fora sozinha. O problema aparece quando ela se acumula em rolha, geralmente empurrada para o fundo por cotonete, fone de ouvido ou tampão. Aí surge o ouvido tampado, a audição abafada e, às vezes, zumbido ou leve tontura - mais desconforto do que dor.

Já a água presa depois do banho ou da piscina costuma sair sozinha inclinando a cabeça; o problema é quando a umidade fica e o canal inflama, virando a otite externa ("ouvido de nadador"), com dor ao puxar a orelha, coceira e às vezes secreção. Quem nada com frequência, usa fone intra-auricular por muito tempo ou mora em clima úmido é mais sujeito a isso.

A cor e o cheiro da cera também geram muita dúvida. Cera mais escura ou ressecada em geral é só cera mais antiga, sem significado de doença. Já secreção com cheiro forte, com pus, ou saída de líquido do ouvido não é "cera": costuma indicar infecção (uma otite externa ou um tímpano que drenou) e merece avaliação. Coceira no canal, sem dor forte, pode ser pele seca, dermatite ou o começo de uma otite externa; resista a coçar com objetos, porque isso machuca o canal e piora.

Como destampar o ouvido com segurança

  • Água presa: incline a cabeça para o lado, puxe de leve a orelha e "pule" no pé de leve; ou deite com o ouvido para baixo por alguns minutos.
  • Ouvido tampado de resfriado ou de avião: boceje, engula, mastigue chiclete, ou faça a manobra de tapar o nariz e soprar com muita suavidade (não force). Isso abre a tuba auditiva.
  • Cera: não cutuque. Se incomoda muito, o médico remove com segurança no consultório.
  • Não use cotonete, grampo, a unha nem "kit de remoção" às cegas - empurra a cera, machuca o canal e pode furar o tímpano.

Como prevenir o ouvido de nadador

Quem tem otite externa de repetição pode reduzir bastante os episódios com cuidados simples:

  • Seque bem os ouvidos depois do banho e da piscina - incline a cabeça para escoar a água e seque a parte de fora com a toalha.
  • Não use cotonete: ele tira a cera protetora e machuca o canal, abrindo caminho para a inflamação.
  • Considere protetores para nadar (tampões de silicone ou touca) se você nada com frequência.
  • Evite fones intra-auriculares por muito tempo e mantenha-os limpos - eles abafam e umidificam o canal.
  • Não coce o canal com a unha, chave ou grampo - a pele fininha do canal se irrita fácil.

Ouvido tampado que não passa, com queda de audição, zumbido ou dor, merece avaliação para separar cera de infecção ou de líquido atrás do tímpano. Perda de audição que persiste depois de a dor passar nunca deve ser ignorada.

Otite: quanto tempo dura, o tímpano e se tem cura

A maioria das otites melhora em poucos dias. A dor mais forte de uma otite média costuma ceder em 2 a 3 dias, sobretudo com o alívio da dor, e o quadro se resolve em geral em cerca de uma semana; a otite externa melhora conforme o canal desinflama e se mantém seco. Otite tem cura - a grande maioria se resolve por completo e sem sequela. Às vezes o tímpano chega a perfurar e drenar (sai uma secreção e a dor alivia de repente): na maior parte dos casos ele cicatriza sozinho em algumas semanas. O que não é normal é a dor que não melhora em 1 a 2 dias, piora, ou volta seguidas vezes.

Uma noção de tempo ajuda a saber quando esperar e quando se preocupar:

Situação Quanto costuma durar
Pico da dor da otite média Costuma ceder em 2 a 3 dias, sobretudo com alívio da dor
Otite média (quadro completo) Em geral melhora em cerca de uma semana
Otite externa Melhora conforme o canal desinflama e se mantém seco; alguns dias a cerca de uma semana
Líquido atrás do tímpano (após a otite) Pode levar semanas para sumir, deixando o ouvido "tampado" mesmo sem dor
Tímpano perfurado Costuma cicatrizar sozinho em algumas semanas

Otite tem cura? Sim. A imensa maioria das otites se resolve por completo, com ou sem antibiótico, e sem deixar sequela. O tímpano pode perfurar? Pode - quando a pressão da infecção é grande, ele às vezes se rompe e drena; costuma haver uma saída de secreção e um alívio súbito da dor. Parece assustador, mas na maioria dos casos o tímpano cicatriza sozinho em algumas semanas. Enquanto ele está perfurado, vale não deixar entrar água no ouvido e não pingar nada sem orientação.

Otite causa surdez? Na imensa maioria das vezes, não de forma permanente. Durante a otite é comum a audição ficar abafada - por causa do líquido ou da inflamação -, e ela costuma voltar ao normal quando o quadro melhora. O que merece atenção é a audição que não volta depois que a dor passou, o líquido que persiste por semanas (sobretudo em criança, na fase de aprender a falar) e a otite crônica mal cuidada, que em casos raros pode deixar sequela. Perda de audição súbita - de uma hora para outra - é sinal de emergência e não deve esperar. Por isso vale sempre mencionar ao médico qualquer queda de audição que não melhora.

Otite em adulto costuma assustar mais porque é menos frequente que na criança - mas acontece, sobretudo depois de resfriado, em quem tem alergia, em mergulhadores e nadadores, e em quem usa muito fone. Em adultos, uma otite que não melhora, que é sempre do mesmo lado ou que vem com perda de audição merece um olhar mais cuidadoso: o médico afasta cera, líquido atrás do tímpano e outras causas. A conduta (observar, tratar a dor, usar antibiótico) segue a mesma lógica da criança - individual e caso a caso.

O que precisa de atenção é a otite que volta muitas vezes (otite de repetição), a que não melhora no tempo esperado, a secreção que persiste por semanas, ou a perda de audição que continua depois que a dor passou. Essas situações merecem avaliação, às vezes com um otorrino, para checar se ficou líquido atrás do tímpano, se há perfuração que não fechou ou se é outra coisa. Otite mal resolvida de repetição, em criança, pode afetar a audição num momento importante para a fala - por isso não se ignora.

Quando a dor não é do ouvido: garganta, dente, gânglio e mandíbula

Em muitos casos o ouvido dói mas está saudável - a dor é referida, com origem em estruturas vizinhas que dividem os mesmos nervos. As fontes mais comuns são a garganta (uma amigdalite ou faringite que "sobe" para o ouvido, tipicamente com dor ao engolir), um dente inflamado do fundo da arcada, a articulação da mandíbula (ATM, com dor ao mastigar ou ao abrir a boca) e, às vezes, um gânglio (íngua) inflamado no pescoço ou atrás da orelha. A pista é o ouvido parecer normal enquanto a dor anda junto de outro sintoma - e o tratamento é o da causa real, não do ouvido.

O ouvido compartilha nervos com a garganta, os dentes e a mandíbula, então uma inflamação em qualquer um deles pode ser "sentida" no ouvido. Reconhecer isso evita tratar o lugar errado:

  • Garganta. Dor de ouvido que piora ao engolir, com dor de garganta, febre ou íngua no pescoço, costuma vir de uma faringite ou amigdalite. O ouvido em si está normal.
  • Dente. Um dente do fundo (molar) inflamado ou com abscesso pode doer "no ouvido" do mesmo lado. Se há dor ao morder, sensibilidade a quente/frio ou dor de dente recente, vale o dentista.
  • Mandíbula (ATM). A articulação que abre e fecha a boca fica colada ao ouvido. Bruxismo, apertar os dentes e tensão causam dor ao mastigar, estalos e dor à frente do ouvido - às vezes com a sensação de ouvido "cheio".
  • Gânglio (íngua). Um linfonodo inflamado no pescoço ou atrás da orelha pode doer na região do ouvido, geralmente junto de uma infecção próxima (garganta, couro cabeludo, dente).
  • Pescoço e músculos. Tensão muscular e má postura também podem gerar dor que irradia para a região do ouvido.

Como saber que a dor é referida e não do ouvido? Alguns sinais ajudam: o ouvido não dói ao ser tocado ou puxado, não há febre, secreção nem queda de audição, e a dor acompanha outro sintoma claro (a garganta ao engolir, o dente ao morder, a mandíbula ao mastigar). Quando você trata a causa - a garganta, o dente, o bruxismo - a dor de ouvido some junto. Isso não é raro: a dor referida responde por uma fatia grande das "dores de ouvido" em adultos, justamente porque o ouvido em si está saudável.

Como o ouvido costuma estar normal na dor referida, a otoscopia ajuda o médico a perceber que a origem está em outro lugar - e a orientar o tratamento certo. Se a dor de ouvido vem sempre acompanhada de outro sintoma (garganta, dente, mandíbula), mencione isso na consulta: encurta o diagnóstico. Uma dor de ouvido persistente de um lado só, sem infecção aparente, sobretudo em adultos que fumam ou bebem muito, também merece ser investigada com calma pelo médico.

Nem toda otite precisa de antibiótico

Este é o ponto que mais gera confusão. Boa parte das otites médias é causada por vírus - muitas vezes na esteira de um resfriado - e melhora sozinha em alguns dias, sem antibiótico. Mesmo quando há infecção bacteriana, em muitos casos o médico opta por observar a evolução e tratar a dor primeiro, reservando o antibiótico para situações específicas: dor que não cede, febre alta, crianças pequenas, piora. Ou seja, o antibiótico não é automático - quem decide é o médico, caso a caso. Tomá-lo "por garantia" não acelera um quadro viral e ainda traz efeitos colaterais e resistência.

É a mesma lógica de outras infecções comuns das vias aéreas, como a sinusite e a amigdalite: a maioria é viral e autolimitada, e o antibiótico fica reservado para os casos que realmente pedem. Em muitas otites médias, a conduta inicial é o que os médicos chamam de observação vigiada: trata-se a dor, acompanha-se por 24 a 48 horas e, se não melhorar, aí sim se considera o antibiótico. Quando ele é indicado, a amoxicilina é o exemplo mais comum - mas a escolha, a dose e a duração são sempre decisão médica, e o tratamento deve ser levado até o fim, mesmo que a dor passe antes.

Quando o antibiótico tende a ser mais indicado? Em geral, em bebês pequenos, quando a dor e a febre são intensas, quando há sinais de infecção mais grave, quando os dois ouvidos estão acometidos em criança pequena, quando há secreção saindo do ouvido, ou quando o quadro não melhora depois de um ou dois dias de observação. Fora dessas situações, tratar a dor e esperar costuma ser tão eficaz quanto começar o antibiótico de imediato - e evita efeitos colaterais desnecessários. É por isso que o médico examina, pergunta e, muitas vezes, propõe "esperar para ver": não é descaso, é a conduta que a evidência apoia.

98%
das consultas por dor de ouvido na nossa base não terminaram com pedido de exame de imagem ou laboratório - o diagnóstico da otite é clínico, feito olhando o ouvido, e não por exame de sangue.
Plantão 24h - base de teleconsultas - n=179 - jan-mai 2026

O que a nossa própria base mostra. Entre os atendimentos por dor de ouvido na nossa telemedicina, o perfil de idade é amplo - de bebês e crianças a adultos, com mediana em torno dos 27 anos -, o que combina com o fato de a otite ser tão comum na infância. O pedido de exame foi raríssimo, e isso não é por acaso: a otite não se diagnostica por exame de sangue nem por raio-X, e sim pelo médico olhar o tímpano com o otoscópio. O foco do atendimento foi aliviar a dor e orientar, com o antibiótico ficando para os casos que pediam; o afastamento, quando registrado, foi curto (em geral 1 a 2 dias).

Dado operacional descritivo da telemedicina Plantão 24h (n=179, jan-mai 2026, população que tende a ser mais jovem que a média). Não é estudo clínico, diretriz nem substitui avaliação médica.

Por que isso importa? Porque o uso desnecessário de antibiótico não é inofensivo: causa efeitos colaterais (diarreia, alergia), atrapalha a flora do corpo e, no conjunto da população, aumenta a resistência bacteriana - o fenômeno em que os antibióticos vão perdendo a eficácia. Usar o antibiótico quando é preciso e não usar quando não é protege você e a comunidade. Confiar essa decisão ao médico, em vez de tomar por conta própria, é parte do tratamento certo.

Sinais de alarme: quando procurar com urgência

A maioria das dores de ouvido é benigna, mas alguns sinais pedem avaliação rápida - e alguns, emergência. O principal é a suspeita de mastoidite (infecção do osso atrás da orelha): inchaço, vermelhidão e dor atrás da orelha, que pode empurrar a orelha para frente e para fora. Outros sinais de atenção: saída de pus ou sangue pelo ouvido, perda de audição súbita, vertigem importante, paralisia de um lado do rosto, e dor forte com febre alta que não cede.

Procure atendimento com urgência se a dor de ouvido vier com qualquer um destes:

  • Inchaço, vermelhidão ou dor atrás da orelha, que empurra a orelha para frente - pode ser mastoidite (emergência).
  • Dor forte com febre alta que não cede.
  • Saída de pus ou sangue pelo ouvido.
  • Perda de audição súbita.
  • Tontura ou vertigem importante junto da dor - pode envolver o ouvido interno (veja o nosso guia de tontura).
  • Paralisia ou fraqueza de um lado do rosto.
  • Objeto ou inseto preso no ouvido (corpo estranho).
  • Bebê ou criança pequena puxando a orelha, com febre, muito irritado ou sem conseguir dormir.
  • Diabético ou pessoa com imunidade baixa com dor intensa no ouvido.
Dá para cuidar em casa

Dor leve a moderada, sem febre alta, que melhora com compressa morna e alívio da dor - sobretudo se veio depois de um resfriado.

Vale avaliação médica

Dor que não melhora em 1-2 dias, febre, secreção, ouvido tampado persistente, dor ao puxar a orelha, crianças, ou quem é diabético ou imunossuprimido.

Emergência - procure agora

Inchaço ou dor atrás da orelha, pus ou sangue, perda de audição súbita, vertigem intensa, paralisia no rosto, ou dor muito forte com febre alta.

Atenção redobrada: bebês, crianças e quem tem imunidade baixa

A otite média é muito comum na infância, e o bebê não sabe descrever a dor. Observe sinais como puxar ou mexer na orelha, choro e irritabilidade, febre, dificuldade para dormir e, às vezes, secreção no ouvido - e procure avaliação, sem medicar por conta própria. Já diabéticos e pessoas com imunidade baixa merecem atenção extra: uma dor intensa no ouvido nesses casos deve ser avaliada mais cedo, porque há risco de uma forma mais grave de otite externa.

Quando a teleconsulta resolve (e qual é o limite)

Boa parte das dores de ouvido pode ser avaliada por teleconsulta. Conversando sobre como a dor começou (foi depois de um resfriado? de muito contato com água?), se dói ao puxar a orelha, se há febre, secreção ou queda de audição, o médico já consegue triar, orientar o alívio da dor, dizer quando é razoável observar e reconhecer o que precisa de avaliação presencial ou de emergência. O limite honesto: o diagnóstico da otite costuma exigir otoscopia - o médico olhar o tímpano com o otoscópio -, e isso é presencial.

Onde a teleconsulta é especialmente útil: na triagem - separar a dor benigna, que melhora com orientação, daquela que precisa de um olhar no tímpano - e em orientar com segurança o que fazer enquanto isso, inclusive qual alívio da dor é adequado para o seu caso. Quando é preciso ver o tímpano (confirmar uma otite média, distinguir cera de infecção, checar perfuração) ou diante de sinais de alarme, o médico encaminha para o presencial - e reconhecer essa hora faz parte do cuidado.

Na prática, uma teleconsulta por dor de ouvido costuma resolver dúvidas como: que remédio posso tomar para a dor?, é seguro esperar ou preciso ir ao pronto-socorro agora?, como cuido do meu filho até amanhã? e preciso de atestado para hoje?. Quando o quadro é simples, o médico orienta e, se for o caso, emite receita e atestado; quando há sinal de alarme ou necessidade de examinar o ouvido, ele diz isso com clareza e indica o caminho presencial - o que também é um resultado útil da consulta.

Anote isto antes da consulta

Para ajudar o médico a triar a sua dor de ouvido, observe: como começou (depois de resfriado? de água ou natação?), se dói ao puxar a orelha, se tem febre, se há secreção (e qual a cor), se notou queda de audição, zumbido ou tontura, se vem com dor de cabeça, e há quanto tempo começou. Em criança, observe febre, irritabilidade e se ela puxa a orelha. Quanto mais detalhe, melhor a triagem.

Com dor de ouvido e na dúvida do que fazer? Um clínico ajuda a entender a causa, orientar o alívio da dor e dizer se precisa de avaliação presencial - em até 20 min, por R$ 79.
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Perguntas frequentes

O que pode ser dor de ouvido?

Dor de ouvido (otalgia) é um sintoma, não uma doença. As causas mais comuns são a otite média (no ouvido médio, atrás do tímpano, geralmente depois de um resfriado), a otite externa ou "ouvido de nadador" (no canal externo, ligada a água, que dói ao puxar a orelha), o tampão de cera e a dor referida (que vem da garganta, de um dente ou da mandíbula, com o ouvido normal). Na maioria das vezes é benigna, mas alguns sinais pedem avaliação.

Toda dor de ouvido é otite?

Não. "Otite" virou sinônimo de dor de ouvido, mas nem sempre é o caso. Um tampão de cera pode causar ouvido tampado e desconforto, e a dor referida - que vem da garganta, de um dente ou da articulação da mandíbula - faz o ouvido doer mesmo estando saudável. Por isso a descrição do que você sente (dói ao puxar a orelha? veio depois de um resfriado? dói junto com a garganta?) ajuda o médico a entender a origem.

Dor de ouvido de um lado só é perigoso?

Não por si só. A dor de ouvido de um lado é o padrão mais comum: a maioria das otites e das dores referidas é unilateral. O que muda a conversa não é o lado, e sim a companhia da dor - febre alta que não cede, saída de pus ou sangue, inchaço ou dor atrás da orelha, perda de audição súbita ou vertigem intensa pedem avaliação, esteja a dor de um lado ou dos dois.

Dor de ouvido ao engolir, o que é?

Dor de ouvido que piora ao engolir costuma vir da garganta, não do ouvido: é uma dor referida de uma faringite ou amigdalite que "sobe" pelos nervos que a garganta e o ouvido dividem. Nesses casos o ouvido em si costuma estar normal, e o quadro vem com dor de garganta, febre ou íngua no pescoço. Tratar a garganta resolve a dor de ouvido.

Dor de ouvido com dor de garganta, o que pode ser?

É uma combinação muito comum e quase sempre significa que a origem está na garganta. Uma faringite ou amigdalite inflama a região e a dor é sentida também no ouvido (dor referida), sobretudo ao engolir. Costuma vir com febre e íngua no pescoço. O ouvido normalmente está saudável, e o tratamento é o da garganta. Vale ver os guias de dor de garganta e de amigdalite.

Como saber se é otite média ou externa?

A pista mais simples: a otite externa ("ouvido de nadador") fica no canal e dói ao puxar ou tocar a orelha, costuma vir ligada a água ou umidade e pode ter coceira e secreção. A otite média fica atrás do tímpano, dá uma dor mais profunda e latejante, costuma aparecer depois de um resfriado, piora ao deitar e pode vir com febre e ouvido tampado. Confirmar qual é, no entanto, costuma exigir o médico olhar o canal e o tímpano com o otoscópio.

Qual o melhor remédio para dor de ouvido?

Não existe um "melhor remédio" universal. Para a dor, a base são os analgésicos comuns (como o paracetamol e a dipirona) e os anti-inflamatórios (como o ibuprofeno), quando há inflamação. Qual usar, em que dose e por quanto tempo depende da causa, da idade e de outras condições - por isso é decisão médica. O antibiótico trata a infecção bacteriana, não a dor, e nem toda otite precisa dele. Gota no ouvido, só com o médico tendo visto o tímpano. Este texto explica as opções, não recomenda tratamento.

Ibuprofeno ou paracetamol para dor de ouvido?

Os dois são usados para aliviar a dor de ouvido. O paracetamol age contra a dor e a febre; o ibuprofeno é um anti-inflamatório, que soma efeito contra a inflamação, mas nem todo mundo pode usar (pessoas com problema de estômago, rim ou algumas outras condições precisam de cuidado). Qual é o melhor para o seu caso, e em que dose, é decisão médica - especialmente em crianças (dose por peso), gestantes e idosos. Uma teleconsulta orienta isso com segurança.

O que é bom para aliviar a dor de ouvido em casa?

Medidas gerais que costumam ajudar: compressa morna sobre a orelha, manter a cabeça mais elevada (a dor piora deitado), manter o ouvido seco (sobretudo na suspeita de otite externa), tratar a congestão do nariz e descansar. O alívio da dor com medicamento e, quando indicada, a gota no ouvido devem ser orientados por um médico, porque dependem da causa e de o tímpano estar íntegro. Evite enfiar cotonete ou objetos e não use "vela de ouvido".

Posso pingar azeite, água oxigenada ou álcool no ouvido?

Não por conta própria. Essas receitas caseiras são muito difundidas, mas podem piorar: se o tímpano estiver perfurado (o que nem sempre dói ou é percebido), várias dessas substâncias entram no ouvido médio e causam dano. A regra de segurança é não pingar nada no ouvido sem saber se o tímpano está íntegro - e só o médico, olhando o tímpano, sabe se alguma gota está liberada e qual.

Como dormir com dor de ouvido?

A dor de ouvido quase sempre piora deitado. Ajuda elevar a cabeceira ou usar um travesseiro a mais (ficar mais reclinado reduz a pressão no ouvido), deitar com o ouvido dolorido para cima (não sobre o travesseiro) e aplicar uma compressa morna sobre a orelha antes de dormir, combinado com o alívio da dor orientado pelo médico. Se a dor não deixa dormir e vem com febre alta, é sinal de procurar avaliação.

Toda otite precisa de antibiótico?

Não. Boa parte das otites médias é viral, costuma surgir depois de um resfriado e melhora sozinha em alguns dias, sem antibiótico. Mesmo em casos bacterianos, o médico muitas vezes opta por tratar a dor e observar a evolução, reservando o antibiótico para situações específicas (dor que não cede, febre alta, crianças pequenas, piora). Quando indicado, a amoxicilina é o exemplo mais comum, mas a escolha e a dose são decisão médica. Tomar antibiótico "por garantia" não ajuda num quadro viral.

Quanto tempo dura uma dor de ouvido ou uma otite?

Depende da causa. O pico da dor de uma otite média costuma ceder em 2 a 3 dias, sobretudo com o alívio da dor, e o quadro se resolve em geral em cerca de uma semana. A otite externa melhora conforme o canal desinflama e se mantém seco. Um "ouvido tampado" por líquido pode durar semanas depois que a dor passou. Dor que não melhora em 1 a 2 dias, que piora, ou que vem com febre alta, pus ou dor atrás da orelha merece avaliação.

Otite tem cura? O tímpano pode perfurar?

Sim, otite tem cura: a grande maioria se resolve por completo, com ou sem antibiótico, e sem sequela. O tímpano pode, sim, perfurar quando a pressão da infecção é grande - costuma haver uma saída de secreção e um alívio súbito da dor. Parece assustador, mas na maioria dos casos ele cicatriza sozinho em algumas semanas. O que precisa de atenção é a otite que volta muitas vezes, a que não melhora, ou a perda de audição que persiste depois que a dor passou.

Dor de ouvido com febre, o que fazer?

Dor de ouvido com febre é comum na otite média, sobretudo em crianças depois de um resfriado, e muitas vezes é benigna. Enquanto isso, o alívio da dor e da febre (orientado por um médico) e as medidas caseiras ajudam. Procure avaliação sem demora se a febre for alta e não ceder, se houver dor ou inchaço atrás da orelha, saída de pus ou sangue, muita prostração, ou se for um bebê pequeno - nesses casos, não espere "passar sozinho".

Dor de ouvido em criança ou bebê, o que fazer?

A otite média é muito comum na infância. Como o bebê não sabe descrever a dor, observe sinais como puxar ou mexer na orelha, choro e irritabilidade, febre, dificuldade para dormir e, às vezes, secreção. O melhor caminho é procurar avaliação médica e não medicar por conta própria (nem antibiótico "que sobrou", nem gota, nem dose de adulto). Procure atendimento com urgência se houver febre alta que não cede, inchaço ou dor atrás da orelha, ou se a criança estiver muito prostrada.

Ouvido tampado, o que pode ser?

Ouvido tampado nem sempre é infecção. As causas mais comuns são o tampão de cera (audição abafada com pouca ou nenhuma dor), água presa depois do banho ou da piscina, a congestão de um resfriado, ou líquido atrás do tímpano que sobra depois de uma otite. Não cutuque com cotonete - empurra a cera e machuca. Ouvido tampado que não passa, com queda de audição ou dor, merece avaliação para separar cera de infecção.

Dor atrás da orelha, o que pode ser?

Dor atrás da orelha tem várias causas benignas - um gânglio (íngua) inflamado, tensão muscular do pescoço ou dor referida. Mas há um sinal que não pode passar: inchaço, vermelhidão e dor atrás da orelha que empurram a orelha para frente e para fora, junto de febre, podem indicar mastoidite (infecção do osso atrás da orelha), que é emergência. Se a dor de ouvido veio com esse quadro atrás da orelha, procure atendimento imediatamente.

Dá para resolver dor de ouvido por teleconsulta?

Em boa parte dos casos, sim. Pela conversa, o médico consegue triar a dor de ouvido, orientar o alívio da dor, dizer quando é razoável observar e reconhecer sinais de alarme. O que a teleconsulta não substitui é a otoscopia - o exame presencial em que o médico olha o tímpano com o otoscópio. Quando é preciso ver o tímpano (confirmar uma otite média, separar cera de infecção, checar perfuração) ou diante de sinais de alarme, o médico encaminha para o presencial.

Dor de ouvido que não passa, o que fazer?

Dor de ouvido que não melhora em 1 a 2 dias, que piora, ou que volta seguidas vezes merece avaliação médica - não é para insistir só com medida caseira. O médico verifica se é uma otite que precisa de outra conduta, se há cera ou líquido atrás do tímpano, ou se a origem é outra (garganta, dente, mandíbula). Otite de repetição e perda de audição que persiste depois da dor podem precisar de um otorrino.

Fontes consultadas
  1. NHS - Earache. nhs.uk/conditions/earache
  2. NHS - Ear infections. nhs.uk/conditions/ear-infections
  3. MedlinePlus - Ear Infections (Otitis Media). medlineplus.gov/earinfections
  4. CDC - Ear Infection Basics. cdc.gov/ear-infection/about
  5. Cleveland Clinic - Ear Infection (Otitis Media). my.clevelandclinic.org
  6. Merck Manual (Versão para Profissionais) - Otitis Media (Acute). merckmanuals.com
  7. Merck Manual (Versão para Profissionais) - External Otitis (Acute). merckmanuals.com
  8. CFM - Resolução nº 2.314/2022 (telemedicina). sistemas.cfm.org.br
Dr. Leonardo Silva Vieira Filho
Revisado por Dr. Leonardo Silva Vieira Filho

Médico generalista - CRM 33727/GO. Formação em Medicina pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com experiência em urgência, emergência e Responsabilidade Técnica.

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Sobre este artigo: escrito pela equipe editorial do Plantão 24h com base em informações do NHS (Reino Unido), do MedlinePlus, do CDC, da Cleveland Clinic e do Merck Manual (Versão para Profissionais), na Resolução CFM nº 2.314/2022 de telemedicina, e em dado operacional da própria base de atendimentos. Revisão técnica pelo Dr. Leonardo Silva Vieira Filho (CRM 33727/GO). Menções a medicamento aparecem por classe e como exemplo ilustrativo, com a dose e a escolha ficando a cargo do médico - o texto não recomenda tratamento. Atualizamos o conteúdo a cada 12 meses ou quando houver nova diretriz oficial. Este texto tem caráter educativo e não substitui consulta médica nem atendimento de urgência.

Conflitos de interesse: o Plantão 24h é uma plataforma de telemedicina. Nosso conteúdo educativo é independente da operação comercial; recomendações clínicas seguem evidência médica, não interesse de venda.