Sintomas

Amigdalite: sintomas, viral ou bacteriana, antibiótico e quando procurar médico

Escrito pela equipe editorial do Plantão 24h e revisado pelo Dr. Leonardo Silva Vieira Filho - CRM 33727/GO | Publicado em | Última revisão médica: | 11 min de leitura

Conteúdo educativo. Não substitui consulta médica.

Mulher jovem em home office pressionando o pescoço com a mão e franzindo a testa de dor ao engolir — sintoma de amigdalite
Resposta rápida

Amigdalite é a inflamação das amígdalas — pode ser viral ou bacteriana. A forma viral é a mais comum, vem junto de um quadro de resfriado/gripe (tosse, coriza, febre baixa) e melhora em 5 a 7 dias só com sintomáticos. A bacteriana — geralmente pelo Streptococcus pyogenes — bate com força: febre alta súbita, placas brancas nas amígdalas, gânglios doloridos no pescoço e ausência de tosse, e exige antibiótico, por decisão médica. Procure pronto-socorro se houver dificuldade pra respirar ou engolir saliva, voz "abafada" ou inchaço só de um lado do pescoço — pode ser abscesso, que é urgência.

Pontos-chave
  • Amigdalite ≠ "garganta inflamada" genérica — é a inflamação específica das amígdalas, as duas "bolinhas" no fundo da boca.
  • Viral × bacteriana é a divisão que muda tudo: viral é sintomática; bacteriana costuma exigir antibiótico. Os sinais que pesam pra bactéria: febre alta, placas brancas, ausência de tosse e gânglios doloridos.
  • Critérios de Centor são o escore clínico simples que o médico usa pra estimar a chance de ser bacteriana.
  • O diagnóstico é clínico: na nossa base, 99% das consultas por amigdalite foram conduzidas sem nenhum exame.
  • Recorrente (7+ episódios em 1 ano, ou menos por vários anos) pode indicar avaliação cirúrgica das amígdalas com o otorrino.
  • Pronto-socorro: dificuldade pra respirar/engolir saliva, voz "abafada", boca travada (trismo) ou inchaço de um lado só do pescoço.
Este artigo é o aprofundamento da amigdalite, dentro do cluster garganta

Dor de garganta tem várias causas, com condutas bem diferentes. Aqui o foco é a amigdalite — em especial a forma bacteriana, onde o antibiótico é central. Se ainda não sabe o que está acontecendo, comece pelo hub dor de garganta — qual é qual e o que fazer, que ajuda a separar viral de bacteriana. Se a garganta é só mais um sintoma dentro de um resfriado (nariz entupido, espirros, tosse), comece por gripe e resfriado.

O que é amigdalite

Amigdalite é a inflamação das amígdalas palatinas — as duas estruturas em forma de bolinha no fundo lateral da boca. As amígdalas são tecido linfoide e fazem parte da primeira linha de defesa contra vírus e bactérias que entram pela boca e pelo nariz. Quando combatem uma infecção, ficam inchadas, vermelhas e doloridas. A causa pode ser viral (mais comum) ou bacteriana — e essa distinção muda o tratamento.

As amígdalas trabalham mais nos primeiros anos de vida, quando o sistema imune está "aprendendo" a reconhecer agentes infecciosos. Por isso a amigdalite é especialmente comum em crianças e adolescentes, mas ocorre em qualquer idade. Ela pode ser aguda (episódio único, dura dias a 2 semanas), recorrente (vários episódios por ano — ver amigdalite recorrente) ou crônica (inflamação persistente e mais leve, às vezes com cáseos).

Sintomas — como saber se é amigdalite

Os sinais clássicos são dor pra engolir, amígdalas vermelhas e aumentadas, placas brancas ou amareladas nas amígdalas (nem sempre), febre (baixa em viral, alta em bacteriana), gânglios doloridos no pescoço, mal-estar e dor de cabeça. Crianças pequenas podem se recusar a comer ou ter dor de barriga associada. Diferente da faringite genérica, na amigdalite as duas "bolinhas" no fundo da boca ficam visíveis e marcadamente aumentadas.

Sinais que indicam amigdalite

  • Dor pra engolir alimentos, líquidos e, em quadros piores, até saliva.
  • Amígdalas vermelhas e aumentadas, visíveis no fundo da boca, com placas brancas/amareladas em parte dos casos.
  • Febre — baixa em quadros virais, alta (acima de 38,5°C) e súbita em bacterianos.
  • Gânglios cervicais doloridos no pescoço (íngua) e halitose persistente.
  • Dor de cabeça, dor no corpo e fadiga. Em crianças: recusa alimentar, dor de barriga, irritabilidade.

Sinais que sugerem algo diferente de amigdalite

Se a dor de garganta vem com muito espirro, nariz escorrendo claro e tosse, é mais provável estar dentro de um quadro de resfriado ou gripe, com faringite viral — não necessariamente amigdalite. Se há rouquidão sem dor importante pra engolir, pode ser laringite. Quando o sintoma marcante é coceira na garganta e nos olhos junto de espirros, pode ser irritação alérgica.

Placas brancas — o que são e o que NÃO significam

As placas brancas (ou amareladas) sobre as amígdalas são uma mistura de pus, restos celulares, fibrina e secreção inflamatória — basicamente o "subproduto" da batalha do sistema imune contra a infecção. Placas SOZINHAS não confirmam que é bacteriana: várias infecções virais (incluindo a mononucleose por Epstein-Barr) também produzem placas. O médico avalia o conjunto de sinais, não a placa isolada.

Amigdalite viral × bacteriana — o que mais importa

É a divisão central do tratamento. Viral: parte de um quadro respiratório (vem com tosse, coriza, espirros, febre baixa). Conduta sintomática — antibiótico não funciona. Bacteriana: bate de repente, com febre alta, placas brancas, sem tosse e gânglios doloridos. O agente mais comum é o Streptococcus pyogenes (estreptococo do grupo A); o tratamento padrão é antibiótico da família da penicilina, por decisão médica. A diferenciação clínica usa os critérios de Centor.

CaracterísticaViralBacteriana (estreptocócica)
InícioGradualSúbito, "de uma hora pra outra"
FebreBaixa ou ausenteAlta (≥38,5°C)
TosseComumAusente (sinal forte)
Coriza/espirrosComunsRaros
PlacasPossíveisComuns
Gânglios cervicaisPequenos ou ausentesGrandes e doloridos
CondutaSintomáticaAntibiótico + sintomático
Quem mais pegaQualquer idadeMais comum em 5–15 anos, mas ocorre em adultos
O que vemos nas consultas do Plantão 24h

Padrão observado em 1.828 consultas em que amigdalite/faringoamigdalite foi o motivo principal (jan–mai 2026, idade mediana 27 anos, 55% mulheres):

  • 99% conduzidas sem nenhum exame complementar — o diagnóstico é clínico, pela história e pelo exame da garganta. O teste rápido pra estreptococo é pouco usado no Brasil e apareceu numa minoria ínfima dos casos.
  • Muito do que chega como "amigdalite" tem cara viral. Nos relatos livres, a dor de garganta vinha acompanhada de coriza, congestão nasal e tosse com frequência — exatamente os sinais que, pelos critérios de Centor, apontam pra vírus, não pra estreptococo. Ou seja: nem toda garganta com placa é bacteriana.
  • Quando houve prescrição, o antibiótico da família da penicilina foi o registro mais frequente, seguido de sintomáticos (analgésico/antitérmico) — a "assinatura" da decisão médica nos casos que bateram como bacterianos.
  • Afastamento mediano de 1 dia quando o atestado foi indicado — quadro de recuperação rápida.

Dado operacional descritivo da telemedicina Plantão 24h (jan–mai 2026, população que tende a ser mais jovem que a média; n=1.828). Não é estudo clínico, diretriz nem substitui avaliação médica.

Critérios de Centor — quando suspeitar de bactéria

Os critérios de Centor são um escore clínico de 0 a 4 pontos que ajuda o médico a estimar a chance de a amigdalite ser estreptocócica (bacteriana). Cada um dos 4 sinais vale 1 ponto: febre acima de 38°C, ausência de tosse, gânglios cervicais doloridos e exsudato (placas) nas amígdalas. Quanto maior o escore, maior a probabilidade de ser bacteriana — e maior a indicação de antibiótico empírico ou de teste rápido.

Como funciona o escore (4 critérios clássicos)

  1. Febre > 38°C
  2. Ausência de tosse
  3. Gânglios cervicais anteriores aumentados e doloridos
  4. Exsudato (placa) ou inchaço nas amígdalas

Interpretação geral

  • 0–1 ponto: probabilidade baixa de bacteriana — sintomático costuma bastar.
  • 2–3 pontos: probabilidade intermediária — considerar teste rápido ou cultura quando disponível.
  • 4 pontos: probabilidade alta — antibiótico empírico costuma ser razoável.

Existe também o Centor modificado (McIsaac), que ajusta o escore pela idade. Em qualquer caso, quem aplica e interpreta é o médico — não é pra você decidir antibiótico sozinho. O valor do Centor pra você é entender o raciocínio: é por isso que o médico pergunta sobre tosse, apalpa o pescoço e olha a sua boca.

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Tratamento e antibiótico

Na amigdalite viral, o tratamento é sintomático: hidratação, gargarejo com água morna e sal, mel (após 1 ano), pastilhas anestésicas, analgésico/antitérmico pra dor e febre. Melhora em 5 a 7 dias. Na amigdalite bacteriana, o tratamento padrão é antibiótico — o de primeira linha é da família da penicilina, por 7 a 10 dias, por decisão médica. Em alérgicos à penicilina há alternativas. Os sintomáticos seguem sendo usados em paralelo pra alívio.

Conduta sintomática (vale pra viral e bacteriana, em paralelo)

  • Hidratação abundante — líquidos mornos costumam aliviar mais que frios.
  • Gargarejo com água morna e sal (½ colher de chá em 1 copo), 3–4 vezes ao dia.
  • Mel puro (só acima de 1 ano) e pastilhas anestésicas — alívio local.
  • Analgésicos/antitérmicos pra dor e febre, conforme orientação.
  • Repouso (inclusive da voz) e umidificação do ambiente — vapor, umidificador.

Antibiótico — quando, e por quanto tempo

Quando o quadro aponta pra bacteriana (febre alta, placas, sem tosse, gânglios — Centor alto), o padrão é antibiótico da família da penicilina, escolhido e dosado pelo médico: penicilina ou amoxicilina oral são a primeira linha (CDC/IDSA), em geral por 10 dias em crianças (esquemas mais curtos são aceitos em adultos). A penicilina benzatina injetável é alternativa em baixa adesão, e há outras classes pra alérgicos à penicilina.

Por que NÃO interromper o antibiótico no meio

Parar o antibiótico assim que a dor passa (geralmente em 24–48 horas) é o erro mais comum na amigdalite bacteriana. O esquema completo é necessário pra erradicar a bactéria e prevenir complicações sérias (febre reumática, glomerulonefrite). Cumprir todos os dias prescritos é parte do tratamento, mesmo quando você já está se sentindo bem.

Duração e contágio

A amigdalite viral típica dura 5 a 7 dias. A bacteriana tratada com antibiótico costuma melhorar em 24 a 48 horas, embora o tratamento dure 7 a 10 dias. É contagiosa nos primeiros dias (gotículas e objetos contaminados); na estreptocócica, a pessoa costuma deixar de transmitir após 24 horas de antibiótico adequado.

  • Lave as mãos com frequência e evite levar a mão ao rosto.
  • Não compartilhe copos, talheres, escova de dente, toalha.
  • Cubra a boca ao tossir ou espirrar (no cotovelo, não na mão).
  • Fique em casa nos primeiros dias, especialmente na bacteriana — a volta à escola/trabalho costuma ser liberada após 24 horas de antibiótico e melhora dos sintomas.

Amigdalite recorrente e cirurgia

Quem tem amigdalite vários episódios por ano pode ser avaliado pra amigdalectomia (cirurgia de retirada das amígdalas). Os critérios clássicos (Paradise) são: 7 ou mais episódios em 1 ano, OU 5+ por ano em 2 anos consecutivos, OU 3+ por ano em 3 anos consecutivos, com episódios documentados (febre, exame, conduta). A indicação é do otorrinolaringologista, considerando idade, frequência, gravidade, qualidade de vida e impacto escolar/profissional.

Outras situações que podem indicar amigdalectomia: hipertrofia das amígdalas obstruindo a respiração (apneia do sono em crianças), abscesso peritonsilar recorrente e halitose crônica por cáseos que não melhora com higiene oral. A cirurgia tem benefícios reais nos casos certos, mas não é primeira opção em amigdalite simples — é uma decisão compartilhada com o otorrino, ponderando frequência, gravidade e impacto na vida.

Complicações

A maioria dos casos de amigdalite se resolve sem complicações. Mas em casos bacterianos não tratados ou mal tratados podem ocorrer complicações locais — abscesso peritonsilar (acúmulo de pus ao lado da amígdala, urgência), celulite cervical, otite média — ou sistêmicas, mais raras hoje no Brasil mas potencialmente graves: escarlatina (estreptococo + rash), febre reumática (compromete coração, articulações) e glomerulonefrite pós-estreptocócica (compromete rins). É justamente por isso que o antibiótico, quando indicado, é importante — e completo.

Complicações locais

  • Abscesso peritonsilar (quinsy): dor pra engolir que piora muito de um lado só, voz "abafada", trismo (boca travada) e desvio da úvula. É urgência — pronto-socorro.
  • Celulite/abscesso cervical e otite média aguda (mais comum em crianças).

Complicações sistêmicas

  • Escarlatina: toxina do estreptococo causa rash difuso (pele como "lixa") e língua "em framboesa". Trata-se com o mesmo antibiótico.
  • Febre reumática: reação imune tardia (1–5 semanas após a faringite estreptocócica) que pode atingir coração e articulações. Hoje é rara no Brasil graças ao uso adequado de antibióticos, mas continua existindo em quem não trata ou trata de forma incompleta.
  • Glomerulonefrite pós-estreptocócica: inflamação dos rins após a faringite. Causa urina avermelhada, inchaço e pressão alta.
24–48h
é o tempo típico de melhora dos sintomas após o início do antibiótico adequado na amigdalite bacteriana. O esquema completo (7–10 dias) é o que previne complicações — mesmo quando a pessoa já está se sentindo bem.
— CDC / IDSA Guidelines for Group A Streptococcal Pharyngitis

Quando procurar médico

Amigdalite com sinais bacterianos (febre alta, placas, sem tosse) merece avaliação médica pra decidir o antibiótico. Procure pronto-socorro imediato se houver dificuldade pra respirar ou engolir saliva, voz "abafada", trismo, inchaço de um lado só do pescoço ou rigidez de nuca com febre — sinais de abscesso ou outra complicação que pede atendimento na hora.

Leve — telemedicina resolve

Dor de garganta moderada, febre baixa, em conjunto com sintomas de resfriado (tosse, coriza). O médico online avalia o quadro, prescreve sintomático e emite atestado se necessário.

Moderada — avaliação médica

Febre alta, placas brancas, sem tosse, gânglios doloridos — quadro que sugere bacteriana. O médico avalia (Centor), prescreve antibiótico quando indicado e emite atestado. A telemedicina cobre boa parte.

Grave — pronto-socorro

Dificuldade pra respirar ou engolir saliva, voz "abafada", trismo, inchaço unilateral do pescoço, rigidez de nuca com febre, sonolência intensa. Pode ser abscesso peritonsilar — urgência.

Sinais de alerta — vá ao pronto-socorro

  • Dificuldade pra respirar ou pra engolir a própria saliva.
  • Voz "abafada" (de "batata quente") ou trismo (boca travada).
  • Inchaço importante de um lado só do pescoço ou da garganta; desvio da úvula.
  • Rigidez de nuca com febre alta, sonolência intensa ou confusão mental.
  • Rash na pele tipo "lixa" com febre (escarlatina) ou urina avermelhada após faringite tratada (glomerulonefrite).
O que NÃO fazer
  • Não tome antibiótico por conta própria — em quadro viral não funciona, atrapalha a flora intestinal e contribui pra resistência bacteriana.
  • Não pare o antibiótico no meio mesmo se estiver se sentindo bem — o esquema completo previne complicações sérias.
  • Não use antibiótico "que sobrou" de outro tratamento — dose, escolha e duração são decisões médicas.
  • Não bocheche álcool, vinagre puro ou produtos químicos — queima a mucosa e piora.
  • Não assuma que toda placa branca é bacteriana — placa sem febre alta, com tosse e coriza, costuma ser viral.
  • Não tente "estourar" placas ou tirar cáseos com objetos — lesiona a mucosa e abre porta pra infecção.
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Perguntas frequentes

O que é amigdalite?

Amigdalite é a inflamação das amígdalas — as duas "bolinhas" no fundo da boca, que fazem parte da defesa do organismo. Pode ser viral (mais comum em quadros leves) ou bacteriana (estreptocócica, mais agressiva, geralmente exige antibiótico). Os sintomas principais são dor pra engolir, vermelhidão e aumento das amígdalas, febre, placas brancas (em parte dos casos) e gânglios doloridos no pescoço.

Como saber se a amigdalite é viral ou bacteriana?

Pistas: a viral começa devagar, vem com tosse, coriza e febre baixa. A bacteriana bate de repente, com febre alta (≥38,5°C), placas brancas, ausência de tosse e gânglios doloridos no pescoço. O médico usa os critérios de Centor pra estimar a probabilidade. Em quadro com escore alto, antibiótico costuma ser indicado; com escore baixo, sintomático costuma bastar.

Qual o antibiótico usado na amigdalite bacteriana?

O de primeira linha na amigdalite bacteriana (estreptocócica) é da família da penicilina — em geral penicilina ou amoxicilina por via oral, por 7 a 10 dias. Em alérgicos à penicilina, há alternativas de outras classes. A escolha exata, a dose e a duração dependem da idade, do quadro e do histórico — e é sempre decisão médica. Não é pra você comprar sozinho na farmácia.

Quanto tempo dura uma amigdalite?

A amigdalite viral típica dura 5 a 7 dias e melhora sozinha com sintomáticos. A bacteriana tratada com antibiótico costuma melhorar bastante em 24 a 48 horas, mas o tratamento completo dura 7 a 10 dias — e precisa ser concluído mesmo quando a dor já passou, pra prevenir complicações. Se passar de 7 a 10 dias sem melhora ou piorar, é hora de reavaliar com um médico.

Amigdalite é contagiosa?

Sim — tanto a viral quanto a bacteriana. A transmissão é por gotículas (tosse, espirro, fala próxima) e contato com objetos contaminados (copos, talheres, escova de dente). Na amigdalite estreptocócica, a pessoa costuma parar de transmitir após 24 horas de antibiótico adequado. Lavar as mãos com frequência e não compartilhar objetos pessoais reduz muito o risco de passar.

Amigdalite com placas é sempre bacteriana?

Não. Várias infecções virais produzem placas, incluindo a mononucleose (vírus Epstein-Barr) — que pode até parecer estreptocócica num primeiro olhar. O médico considera o conjunto: febre alta, ausência de tosse, gânglios doloridos e a placa juntos pesam pra bacteriana; placa isolada não confirma. Por isso o diagnóstico é clínico, não pela placa sozinha.

Quando precisa operar as amígdalas?

Os critérios clássicos (Paradise) consideram a frequência de episódios bem documentados: 7 ou mais em 1 ano, 5+ por ano em 2 anos, ou 3+ por ano em 3 anos. Também entram na decisão a hipertrofia que obstrui a respiração (apneia do sono), o abscesso peritonsilar recorrente e a halitose crônica importante por cáseos. A decisão é compartilhada com o otorrinolaringologista, considerando o impacto na qualidade de vida.

Posso tratar amigdalite por telemedicina?

Sim, na maioria dos casos. O Conselho Federal de Medicina autoriza a teleconsulta no Brasil pela Resolução CFM nº 2.314/2022: o médico avalia os sintomas (a câmera ajuda a ver as amígdalas), aplica o raciocínio dos critérios de Centor, prescreve antibiótico quando o quadro indica e emite atestado válido em todo o país. Dificuldade pra respirar/engolir saliva, voz abafada, trismo ou inchaço unilateral no pescoço são sinais de abscesso e exigem pronto-socorro presencial — não telemedicina.

Fontes consultadas
  1. National Health Service (NHS). Tonsillitis. nhs.uk/conditions/tonsillitis
  2. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine / NIH). Tonsillitis. medlineplus.gov/tonsillitis
  3. Cleveland Clinic. Tonsillitis: Symptoms, Causes, Diagnosis & Treatment. my.clevelandclinic.org/health/diseases/21146-tonsillitis
  4. Merck Manual (Professional Edition). Tonsillopharyngitis. merckmanuals.com/professional/ear,-nose,-and-throat-disorders/oral-and-pharyngeal-disorders/tonsillopharyngitis
  5. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Group A Streptococcal (GAS) Disease — Strep Throat. cdc.gov/group-a-strep/about/strep-throat
  6. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.314/2022 — Telemedicina. sistemas.cfm.org.br
Dr. Leonardo Silva Vieira Filho
Revisado por Dr. Leonardo Silva Vieira Filho

Médico generalista - CRM 33727/GO. Formação em Medicina pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com experiência em urgência, emergência e Responsabilidade Técnica.

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Sobre este artigo: escrito pela equipe editorial do Plantão 24h com base em diretrizes do NHS (Reino Unido), do MedlinePlus (Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA / NIH), da Cleveland Clinic, do Merck Manual (Professional Edition) e do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), na Resolução CFM nº 2.314/2022 de telemedicina, e em dado operacional da própria base de atendimentos. Revisão técnica pelo Dr. Leonardo Silva Vieira Filho (CRM 33727/GO). Atualizamos o conteúdo a cada 12 meses ou quando houver nova diretriz oficial. Este texto tem caráter educativo e não substitui consulta médica.

Conflitos de interesse: o Plantão 24h é uma plataforma de telemedicina. Nosso conteúdo educativo é independente da operação comercial; recomendações clínicas seguem evidência médica, não interesse de venda.